A colheita da safra 2026/27 de café está prestes a começar no Brasil, com uma visão praticamente unânime entre os agentes do mercado: a produção será recorde. Após anos marcados por adversidades climáticas e oferta mais restrita, a expectativa para essa temporada é de uma recuperação consistente, com volumes que irão superar marcas históricas recentes e reforçar o protagonismo do Brasil no mercado global da commodity. A estimativa mais recente da DATAGRO aponta para uma produção total de 73 milhões de sacas na safra 2026/27, um aumento de 18,6% ante a temporada 2025/26. Esse crescimento será puxado principalmente pelo avanço do arábica, cuja produção deverá alcançar 48 milhões de sacas, ante 36,5 milhões de sacas no ciclo anterior. Já a produção da variedade robusta permanecerá estável em 25 milhões de sacas, de acordo com a consultoria. Ainda que o cenário produtivo seja positivo, o desempenho das exportações brasileiras segue envolto em incertezas. O conjunto de fatores que influencia os embarques vai desde o comportamento dos produtores até questões geopolíticas e limitações logísticas.Para o CEO do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Antonio Matos, o ambiente atual exige cautela. “Estamos discutindo um ambiente com muitas variáveis, com riscos geopolíticos e tensões que aumentam a imprevisibilidade das exportações”, afirma.