O mercado de etanol possui atualmente uma gama de oportunidades para continuar crescendo e consolidando o Brasil como o principal produtor e exportador global de energia limpa. Novos mercados não param de aparecer e a demanda por soluções de descarbonização está cada vez maior. No entanto, o mercado de etanol segue encontrando no setor automotivo seu principal aliado para crescer.Essa foi a visão transmitida pelos especialistas no primeiro painel da 3ª Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho, realizada nesta quinta-feira (16) em Cuiabá (MT).Participaram das discussões o vice-presidente de trading da Inpasa, Gustavo Mariano; o vice-presidente de sustentabilidade e desenvolvimento de negócios da FS, Daniel Lopes; e o diretor de supply & trading da Vibra, Tomás von Atzingen. A moderação ficou por conta do presidente da DATAGRO, Plinio Nastari.Na visão dos painelistas, o aumento da mistura na gasolina é o mecanismo de maior impacto na demanda por etanol anidro no Brasil. Atualmente, vigora no país uma mistura obrigatória de 30% do biocombustível no combustível fóssil, amostra essa que pode chegar até 35%, conforme permite a Lei de Combustível do Futuro.Além disso, é necessário campanhas que busquem estender a participação do consumo de etanol hidratado na frota flex e que disseminem a solução de mobilidade que combina eletrificação com biocombustíveis.Em relação aos novos mercados que o etanol pode ser empregado, foram destacados o biobunker (combustível marítimo renovável) e o SAF (combustível sustentável de aviação). "O etanol já está sendo trabalhado para ser utilizado como combustível de navegação. O bunker fuel [combustível marítimo fóssil] emite quatro vezes mais carbono do que a gasolina. O potencial de descarbonização se conseguirmos efetivamente trocá-lo por etanol é gigantesco", afirmou Gustavo Mariano.Daniel Lopes, por sua vez, afirmou que também enxerga oportunidades para utilização do etanol em frotas mais pesada, como de caminhões, buscando alguma forma de misturá-lo ao diesel. "Isso sem mexer na mistura do biodiesel que já existe e vigora no Brasil", ressalta.Do lado dos desafios, a necessidade de investimentos em logística foi apontada pelos painelistas como um dos principais gargalos, especialmente para viabilizar o escoamento da produção crescente e ampliar a competitividade no mercado externo.A possibilidade de sobreoferta do biocombustível no Brasil também reforça a importância de expandir as exportações e consolidar a imagem do etanol de milho brasileiro como um produto sustentável no mercado internacional.Ademais, questões regulatórias, a formação de preços regionais e o desenvolvimento de mercados para coprodutos, como o DDG, foram citados como pontos de atenção para o setor.