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Conferência UNEM DATAGRO: etanol de milho elevou patamar do preço da saca do grão

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A expansão do etanol de milho vem mudando o cenário de formação do preço da saca do cereal no mercado doméstico. Tomando-se como base, por exemplo, a praça de Sorriso (MT), o valor da saca do milho hoje está praticamente o dobro do comercializado há cerca de dez anos. A diversidade de coprodutos provenientes do milho, que é destinado à fabricação de etanol é o que vem viabilizando a mudança.

É o etanol de milho em si; o DDG, dedicado à alimentação animal; o óleo de milho, a possibilidade de CBios; e assim por diante. Este foi o principal recado da cerimônia de abertura da 3ª edição da Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho, que acontece nesta quinta-feira (16), em Cuiabá (MT).



*Governador de MT, Otaviano Pivetta, discursa na abertura da 3ª edição da Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho

"O etanol vem permitindo uma forte agregação de valor ao milho. Nossos estudos mostram que com a industrialização, o valor do cereal cresce acima de 80% do que se fosse comercializado em grão", assinalou o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari. "De R$ 15, R$ 20 há dez anos, o preço da saca vem subindo para níveis acima de R$ 45 aqui em MT, por exemplo."

Segundo o presidente da DATAGRO, o etanol de milho é exemplo concreto e real da virtuosa integração das cadeias produtivas, porque gera grãos, biocombustíveis, ração para planteis de animais, que resultam na fabricação de carnes, e assim por diante. "Esta lógica encerra a falácia da competição por terra entre alimentos e energia. Isso não existe aqui no Brasil - pelo contrário. A produção de energia no campo impulsiona a de alimentos."



*Presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, ressaltou a industrialização que o etanol vem trazendo para a cadeia produtiva do milho 

Ao concluir, Nastari registrou que o agro atravessa uma conjuntura de custos em alta, preços pressionados, margens apertadas, mas que o setor demonstra, como sempre, resiliência para enfrentar momentos desta natureza.

Em sua exposição, o presidente do conselho da UNEM, Eduardo Menezes Mota, discorreu sobre o potencial de crescimento do etanol de milho, estimando um volume de 12 bilhões de litros na safra 2026/27, um avanço de 10% frente ao ciclo anterior. O dirigente destacou o início das operações de novas usinas em Mato Grosso, Bahia e Pará, lembrando que o segmento de etanol de milho não gera apenas o biocombustível em si, mas também bioeletricidade, óleo, DDG, entre outros coprodutos.

"O contexto geopolítico atual posiciona a segurança alimentar e energética no centro das decisões, e o etanol se coloca como um trunfo no cenário global, o setor ganha uma relevância estratégica imensa, funcionando como um escudo para o Brasil." Ademais, o dirigente acentuou que novos mercados despontam para o etanol, entre os quais, o de combustíveis sustentáveis de aviação e marítimo.

Encerrando a solenidade de abertura, o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, projetou que a cadeia produtiva em torno do milho será a principal do estado em breve, superando até a da soja. "O milho está virando a safra e a soja a safrinha." Participaram ainda da cerimônia, o vice-prefeito de Sorriso, Acácio Ambrosini; o presidente da Biosul, Amaury Pekelman; o presidente da Fiemt, Silvio Rangel; e Luiz Gustavo Wiechoreki, coordenador de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).