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Biocombustíveis amortecem impactos da crise de preços e de oferta do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio

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O Brasil vem atravessando, com menos impacto na comparação com outros países, a crise de oferta e de preços do petróleo e derivados, devido ao conflito no Oriente Médio, porque tem uma robusta produção e capilaridade de distribuição de biocombustíveis, sobretudo etanol e biodiesel, que adicionados à gasolina e diesel, diminuem a necessidade de importação de combustíveis fósseis. Este foi o recado dado por autoridades, dirigentes setoriais, parlamentares e consultores durante o seminário "Lei Combustível do Futuro e as Perspectivas para os Biocombustíveis", realizado nesta quinta-feira (23), na capital paulista.

"Temos enfrentado esta crise com menos problemas do que outros países devido exatamente aos biocombustíveis", assinalou o diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes, na mesa de abertura do evento, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), e que contou com apoio institucional da FGVAgro.

Na oportunidade, Arraes adiantou a informação de início dos testes de aumento de mistura do biodiesel ao diesel – hoje em 15% (B15) – a partir de maio. Após essa fase, os estudos também devem avaliar a viabilidade de elevação gradual até 20%, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro.

"Os testes vão verificar o comportamento tanto dos motores, quanto do diesel com teores maiores do biocombustível e vão dar segurança para avançar [na mistura] aqui [no Brasil] e lá fora", esclareceu o diretor do MME.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, o setor está pronto para aumentar a produção e, inclusive, já se dispôs a ajudar a financiar os custos da testagem.

 

Eixo estratégico para transição energética


Em um breve recorte para o etanol, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Pietro Mendes, pontuou que a cada percentual a mais de adição do biocombustível na gasolina, o Brasil deixa de ter que importar 400 milhões de litros por ano do combustível fóssil. Hoje, o percentual de mistura do etanol anidro na gasolina é de 30% (E30), mas a legislação permite aumentar esse teor até 35%.

Em sua exposição, o deputado federal, Arnaldo Jardim, disse que os biocombustíveis são o eixo estratégico do Brasil na jornada de descarbonização e da transição energética, com potencial para expansão internacional. "Nossa meta é o E32 e o B17 ainda para este ano".

 

Agenda além da mistura


Um dos anfitriões do encontro, o presidente da Abiove, André Nassar, lembrou, ainda, que a agenda do segmento do biodiesel é extensa, e vai além do aumento da mistura. Entre outras pautas prioritárias, o dirigente listou as oportunidades que despontam nos mercados de combustíveis marítimo [biobunker] e de aviação [SAF], o desafio de ampliar as matérias-primas, a necessidade de aprimoramento das regras do "Selo Combustível Social", que permite condições diferenciadas para agricultores familiares, entre outras.